DOPING MECÂNICO NO MUNDIAL DE CICLOCROSS

Já faz algum tempo que vem se especulando com informações de que ciclistas estariam utilizando bicicletas equipadas com mini-motores escondidos no canote do selim. Assim foi com Fabian Cancellara em 2010, com Ryder Hesjedal em 2014. No Mundial de Ciclocross, disputado em Zolder na Bélgica uma das bicicletas da campeã europeia Femke Van de Driessche foi apreendida sob  suspeita de fraude tecnológica.  

Foto: ©Belga

Femke teve problemas com a bicicleta logo na primeira volta Foto: ©Belga

 Aos 19 anos, a atual campeã europeia de ciclocross  Femke Van de Driessche era a grande favorita para o título mundial em sua categoria, porém seu dia no circuito de Zolder  aonde está sendo disputado o Campeonato Mundial de Ciclocross não foi dos melhores. Logo na primeira volta enfrentou problemas com seu pedal, a situação se agravou na penúltima volta, os problemas mecânicos eram maiores  e se confirmaram quando ela passou empurrando a bicicleta na 11ª posição e a mais de um minuto das ponteiras, o adeus ao pódio já era claro, porém o pior ainda estaria por acontecer.

Na penúltima volta

Na penúltima volta Femke cruzou a reta de chegada empurrando a bicicleta – foto: reprodução vídeo

Neste Mundial  a  UCI  está utilizando uma nova tecnologia para a verificação ds bicicletas, na tentativa de detectar o doping mecânico, com um scanner ligado a um tablet por meio de um aplicativo que em muito pouco tempo digitaliza e analisa os dados.

A suspeita de que uma das bicicletas da jovem belga tinha alguma coisa fora do normal  levou os técnicos da UCI a apreender a bicicleta para um novo controle. Nas provas de ciclocross os competidores levam pelo menos duas bicicletas devido às condições extremas de lama provocada geralmente pelo mau tempo no hemisfério norte aonde são disputadas as competições e ao risco de quebras,  e a troca do equipamento pode ser feita na passagem pela área de boxes.

Duas horas depois do encerramento da prova pela primeira vez na história do ciclismo foi exposto ao mundo pela entidade máxima do ciclismo a confirmação de suspeita de fraude tecnológico. Jos Smets, diretor esportivo da Federação Belga, disse durante uma breve coletiva de imprensa: “A UCI definiu fraude tecnológico e podemos confirmar que esta é a bicicleta de Femke van den Driessche”.

“Nossos auditores encontraram uma fraude mecânica”, disse o coordenador da UCI Peter Van den Abeele ao jornal Sporza. “Se isso era uma verificação específica? Nós estamos controlando há tempos. Nos últimos anos, houve problemas e adaptamos nossa tecnologia. A equipe da comissão de material da UCI estava aqui com poder, presente e com equipamento eficiente”concluiu.

De acordo com o pai da ciclista a bicicleta que foi levada pela UCI  não foi utilizada prova. “Não é uma bicicleta da Femke”, declarou ao jornal Nieuwsblad. “Alguém da equipe, que às vezes treina com ela, levou a bicicleta para a área de boxes (…)Nós não sabemos o que realmente significa  fraude tecnológica.  Mas se a intenção era fazer trapacear , você ainda subiria numa bicicleta? Femke é campeã europeia e belga? Por que você faria isso em um Mundial? “.

Os grandes jornais belgas e toda a imprensa esportiva da Europa já dá como certo o caso de doping tecnológico e apontam que a bicicleta de Femke estaria equipada com um daqueles motorzinhos . A UCI emitiu um breve comunicado declarando que uma bicicleta usada na prova feminina sub23 foi apreendida para uma investigação mais apurada de fraude tecnológico.

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