MORRE ALBANI, O HOMEM QUE DIRIGIU MERCKX

 

albani_giorgioO ciclismo italiano está de luto, faleceu na madrugada desta quinta-feira (29/07) em Monza, aos 86 anos, vitima de linfoma, uma das figuras mais emblemáticas do esporte: “il Professore” Giorgio Albani .

Nasceu em Monza,em 15 de junho de 1929 e iniciou sua carreira ciclística correndo como amador em 1948, quando ainda trabalhava numa fábrica de caixas, defendendo o clube da sua cidade, o Pedale Monzese. Para garantir sua participação nas corridas o clube lha dá a camisa, uma bermuda e uma pequena quantia a título de reembolso de despesas.
Em pouco tempo tornou-se um dos melhores ciclistas da Lombardia. Com apenas 20 anos passa ao profissionalismo e se destaca na Tre Valli Varesini de 1949 quando abre uma uma fuga solitária, um pneu furado lhe tira a vitória, dias depois faz 6º no Giro da Lombardia, após uma boa escalada da Cima Ghisallo. Estava claro para muitos que ali havia um ciclista que figuraria entre os principais nomes da época bom velocista e com uma grande característica: sabia fazer a leitura de uma corrida, tinha uma ampla noção de tática.
Em seu currículo como ciclista figuram 34 vitórias com destaque para dois Giro dell’Appennino 52/54, Milano-Modena 51, Giro del Piemonte 52, Ter Valle Varesini 54 e 7 etapas do Giro d’Italia, seu maior momento foi em maio de 1952 quando bateu no sprint a Fiorenzo Magni e Fausto Coppi na chegada a Bolonha, vestindo a maglia rosa.
Foi campeão italiano de estrada em 1956 e integrou a seleção do seu país nos mundiais de Luxemburgo’52 e Copenhaggen’56.

Albani vence a 1ª etapa do Giro de 1952 - Milano/Bologna

Albani vence a 1ª etapa do Giro de 1952 – Milano/Bologna

Entre os anos de 1949 e 1958 defendeu a camisa da Legnano , porém em dezembro daquele ano fica sem equipe. Uma aproximação com a Molteni garante um novo contrato com a responsabilidade de correr e também dirigir a equipe. O ano de 1958 seria seu último ano como profissional, além de correr Albani tinha que cuidar das contas da equipe da logística. Com a dupla função ainda disputa o Giro d’Italia, correndo 14 das 20 etapas se retira da competição e assume seu lugar definitivo do comando da equipe.
Sob o comando de Giorgio Albani, a Molteni viveu grandes momentos sob o seu comando. Foi ele que contratou Eddy Merckx
Foi Albani quem levou Eddy Merckx para a Molteni em 1971. Após uma conversa com Fiorenzo Magni soube que a família Valente, dona da fábrica de máquinas de café Faema tinha a intenção de interromper seu apoio ao ciclismo, percebendo que havia ali uma grande oportunidade para trazer um já consagrado ciclista conversou com os patrões: Pietro Molteni e seu filho Ambrogio que lhe deram carta branca para as negociações. Giorgio vai à casa de Merkx em Bruxelas, e este em meio à negociação lhe pergunta se poderia levar 11 homens, de forma calma respondeu: “Pode ser feito” e a contratação foi concluída.

Eddy Merckx resume o que foi Albani: “O Maior Diretor Esportivo que eu já tive".

Eddy Merckx resume o que foi Albani: “O Maior Diretor Esportivo que eu já tive”.

O resultado daquela conversa produziu a mais premiada, história de conquistas do ciclismo. Nos 6 anos de Meckx na Molteni sob o comando de Albani, o belga conquista 3 Giros consecutivos, 3 Tour, uma vuelta, 4 Milano-Sanremo, 3 Liège-Bastonge-Liège, 2 Giro da Lombardia e todas as clássicas do Norte: Paris-Roubaix, Flandres, Gand-wevelgen, Flèche Wallone, Paris-Bruxelas, dois títulos mundiais e o registro do Recorde da Hora.
Albani encerra suas atividades como diretor esportido em 1976, mesmo ano em que a indústria de alimentos Molteni resolve abandonar o patrocínio do esporte após uma violenta queda do faturamento e processos por evasão fiscal.
Entre os anos de 1977 e 1981 com a crise da Molteni, Albani abandona o ciclismo e trabalha como administrador de uma fábrica de salames em Cantú.
Em 1982 foi chamado pela organização do Giro d’Italia para ocupar o cargo de vice-diretor estando sempre ao lado do “patron” Vincenzo Torriani, depois ao lado de Carmine Castellano, Angelo Zomegnan e até pouco tempo atrás com Mauro Vegni.

No pelotão ou dentro de uma viatura Albani sempre mostrou muita competência, sabedoria e um equilíbrio diferenciado, talvez por isso a sua parceria com Merckx  tenha sido tão longa e o carinho dedicado a ele tenha sido tão grande, o Cannibal resume em poucas palavras sua admiração pelo homem que o dirigiu: “O Maior Diretor Esportivo que eu já tive”.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.